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“Só hoje” por Leca Haine

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Pixabay.com

Hoje amanheci estupendamente livre e não sei porque. O calor diminuiu, a noite foi longa, o sono também. Deu vontade de caminhar e depois de correr. De mudar o rumo de tudo e de não mudar nada. Deixar que os outros o façam, se assim o quiserem.

Amanheci com o amor que deveria sentir todos os dias por mim mesma e nunca sinto, talvez porque nunca me dei conta de que cabe exclusivamente a mim a ingrata tarefa de amar-me com prioridade.

Hoje e só hoje me dei conta de que se quiser, posso pegar um avião e ir aonde me der na telha, ou talvez voar sem ele memo. Sei lá, pois do jeito que estou esbaforida, o voo seria rasante, sem sequer um quê de dúvida, mas seria.

Quereria ver as casas de onde eu moro pelo lado de dentro. Ver se as pessoas se comportam bem ou se mal, o que seria um e outro? Quereria ver o que comem, como se vestem, o que cheiram e como se despem. Para que, afinal, se todos nós temos a alma nua?

Hoje amanheci querendo falar difícil, escrever difícil, pensar difícil. Fazer uma receita difícil, me fazer de difícil. Não irei sequer atender o telefone, mandar mensagem, ler recadinhos, nada!

Quero todo o tempo, o dia todinho, com todos os segundos a que tenho direito para mim. Somente para ficar pensando no que fazer e depois descobrir que o dia passou e não fiz nada.

Que se danem as horas e os dias, talvez amanhã eu repita o exercício de hoje, do não fazer, do não estar nem aí para nada. Quem notaria?

#LecaHaine

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